Sempre tive pânico de febre.Essa coisa que sem aviso prévio começa a esquentar nosso filhos a ponto de parecer que a qualquer momento estarão apitando e soltando fumaça pelas orelhas! E o pior, ela anuncia o mal mas nao o denuncia. A gente começa então a fazer uma varredura pelas ultimas 24 horas buscando qualquer coisa fora do comum que o pequeno possa ter feito, tomado ou comido. Confere os potes de shampoo, os vidros de perfume, o óleo de amendoas, o hipoglós tampado. Ok. Confere. Tomou sorvete? Andou descalça? Dormiu de cabelo molhado? Foi de casaco pra escola?
À essa altura do campeonato nao importa mais. Mas nao custa perguntar.
- Filha, dói em algum lugar?
Uma vozinha arrastada e manhosa responde:
-Siiiiiim. O braço.
Meu Deus. O braço?! Era melhor nao ter perguntado. Antes doesse a garganta, os pés, a cabeça, as costas até a unha. Mas o braço?
Ta. Esquece. Ela não tem nem 3 anos. Talvez nao saiba o que diz.
Alguém segura as pontas aí que eu vou na farmácia voando e aproveito pra comprar morangos e uvas sem caroço que eu sei que ela adora e, muito provavelmente, a noite será longa..(pra nao dizer eterna).
5 ml? Confere.
- Abre a boca, filha. Tem que tomar. É pro seu bem.
-É pro meu bem?
-Claro, minha flor. Mamãe só faz as coisas que são pro seu bem..
-Porque?
-Porque eu te amo. Te amo muito. Agora abre a boca.
Remedinho ok.
20,30 minutos...A febre não cede. Chuveiro. Cadê a banheira? Lava a banheira.
Puta que pariu. Não tem agua quente??
Interfonando pra portaria.
– Boa noite. O senhor sabe porque nao tem agua quente no chuveiro?
-Não sei nao senhora. Quem sabe isso é o porteiro que chega as 6 horas. (são 2 e meia da manhã)
-Mas então..não tem como você olhar pra mim? A agua nao esquenta e eu to precisando de agua quente, amigo.
-É....Eu nao sei olhar esses negócios. É só com o flávio mesmo.
Respira fundo, conta até 10, pensa lilás...
-Ok. Muito obrigada. Boa noite.
Muito bem.. Ferve agua, mistura com a do chuveiro, bota a criança dentro e esquece da vida.
Ja ta tudo tão tenso...Liga a musica. Aumenta.
Laís curte o banho, viaja com os brinquedinhos na banheira, inventa uma estória engraçada com o barquinho. Ri, joga agua pra cima, conversa comigo.
Sai do banho, troca.
Operação que se repetiu 2x durante a longa madrugada.
Acho engraçado que ela fica comunicativa no intervalo de um febrão pra outro. Desanda a falar coisas sem nexo, junta uma coisa com outra, é uma delícia!
Brincamos de tinta, de massinha, de desenhar. Assistimos toda coleção de DVDs. De tras pra frente inclusive. Comemos os morangos e as uvinhas e tomamos mamadeiras. Cochilamos uns 40 minutinhos e o dia ja estava querendo nascer.
Ela vai na sacada e lança: - Que dia niiindo, não é?? (ela diz isso mesmo quando o céu ameaça desabar com nuvens cinzas e trovões anunciando o fim).
Mas estava de fato nascendo um dia lindo.
Até que enfim. Alguém pra olhar gargantinha, checar os pulmões, o coração.
- Filha, vamos ali tomar um cafézinho pra gente ir no médico.
-Não quero ir no médico.
- OK. Mas nós vamos.
-Me dá uma castanha?
-Não é hora de Castanha, Laís. Voce sabe.
-Mas eu quero. Só uma. Bem grandona. Duas!
-Hum..ta. E não me peça mais.
Felicidade suprema! (ela AMA castanhas)
-Mamãe?...Voce ta me ouvindo?
-hahahah. To, filha. Claro!
-Eu to cansada.
-Pudera..
-Vamos la colocar uma roupinha.
-Vamos.
E o dia está só começando.. =)
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Adorei! :)
ResponderExcluirmoça, quanta criatividade. Parabéns. O texto é fantastico. Quando será postará o proximo?
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